Ocupações, acampamentos e passeatas marcaram ontem, em áreas rurais e cidades de 15 estados, a Jornada de Luta das mulheres ligadas à Via Campesina e ao MST contra o agronegócio a violência. Mais de 6.000 militantes participaram da mobilização.
Rondônia: cerca de 200 mulheres bloquearam por uma hora a estrada de acesso ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Em Porto Velho, protestaram contra a construção de barragens no rio Madeira. Elas estão acampadas num ginásio, onde fazem debates e estudos.
São Paulo: 150 mulheres ocuparam a sede do Incra em Araraquara denunciando a grilagem de terras na região.
Rio: foi ocupada a Usina Capim, em Campos dos Goytacazes, em protesto contra o aumento do trabalho escravo nas lavouras de cana-de-açúcar.
Minas Gerais: 500 mulheres estão acampadas desde o dia 6 na praça da Assembleia Legislativa. Denunciam a situação de opressão em que vivem por causa do agronegócio, da violência e do machismo.
Alagoas: as manifestantes acamparam em frente ao palácio do governo estadual, em Maceió, e pretendem ficar lá durante uma semana. Realizaram ato também no centro de Arapiraca e marcharam em Delmiro Gouveia, para protestar contra a construção do Canal do Sertão, obra que, segundo elas, vai privilegiar latifundiários.
Bahia: cerca de 1500 militantes da Via Campesina, quilombolas e de outros movimentos encerraram acampamento na UFBA e marcharam pelas ruas de Salvador.
Ceará: 400 mulheres acamparam em frente à indústria química Nufarm, na Região Metropolitana de Fortaleza. Protestam contra a fábrica, oitava maior produtora mundial de agrotóxicos, e reclamam a desapropriação do terreno.
Paraíba: 400 mulheres marcharam pelas ruas de Sousa, no sertão. Denunciaram o uso desenfreado de agrotóxicos pelo grupo Santana, grande empresa agrícola. Os maiores prejudicados são as famílias acampadas num assentamento.
Pernambuco: cerca de 350 mulheres ocuparam a sede da Secretaria estadual de Agricultura, em Recife. Lembraram que Pernambuco é um dos estados com maior quantidade de conflitos agrários, mas que nenhuma nova desapropriação foi feita em dois anos. No domingo, 180 mulheres haviam reocupado uma fazenda no município de Bonito, brejo pernambucano.
Tocantins: mais de 800 mulheres fizeram caminhada em defesa da vida, pelos direitos humanos e pela soberania alimentar.
Goiás: 600 militantes fizeram caminhada contra o agronegócio no município de Rubiataba.
Mato Grosso: as mulheres realizaram uma campanha de doação de sangue em frente aos correios e a Igreja Matriz, em Várzea Grande.
Mato Grosso do Sul: 300 mulheres percorreram as ruas centrais da capital, Campo Grande, com faixas, cartazes e megafones. As camponesas entregaram ao Incra uma pauta de reivindicações para melhorias nas área de educação, saúde e crédito.
Paraná: cerca de mil camponesas ocuparam uma usina em Porecatu, no norte do estado, para denunciar a monocultura da cana e o trabalho escravo.
Rio Grande do Sul: trabalhadoras da Via Campesina, do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, da Intersindical e do Levante da Juventude estão mobilizadas desde o último dia 3. As manifestantes promoveram palestras e ocuparam a Delegacia do Ministério da Agricultura, em Porto Alegre.